Baixar NFS-e, NF-e e CT-e de várias empresas

Vitor Ayres (abre em nova aba)

Desenho de plantas gerado a partir do primeiro commit do repositório nanci.
Plantas geradas pelo primeiro commit de nanci (defeab3).

Quem cuida das notas de várias empresas costuma baixar os XMLs de portal em portal, uma empresa de cada vez. Existe outro caminho: o governo entrega os documentos de um CNPJ direto a um programa no seu computador, usando o certificado digital da empresa. A NFS-e vem do Ambiente de Dados Nacional (ADN), e a NF-e e o CT-e vêm do Ambiente Nacional da SEFAZ.

Este texto explica como isso funciona na prática e por que às vezes uma nota que você esperava não aparece. Ele se baseia no que aprendemos desenvolvendo o Nanci, um aplicativo de desktop para Windows, gratuito e de código aberto, que baixa essas notas. Ele tem interface visual, com telas e botões, e também linha de comando para quem quer automatizar.

Resumo

  • Com o certificado digital da empresa, dá para baixar NFS-e, NF-e e CT-e sem entrar em portal.
  • As notas chegam em sequência. Depois da primeira vez, cada consulta traz só o que é novo.
  • Na NF-e, a empresa destinatária recebe primeiro um resumo. O XML completo vem depois da Ciência da Operação.
  • As notas que a própria empresa emitiu não aparecem na NF-e e no CT-e, e podem não aparecer na NFS-e.
  • A fila de distribuição da SEFAZ guarda as NF-e e os CT-e por cerca de 90 dias.
  • Quem consulta demais é bloqueado pela SEFAZ por um tempo.

O que você precisa

  • O certificado digital de cada empresa e a senha dele. O mesmo certificado serve para NFS-e, NF-e e CT-e. O Nanci trabalha com o tipo A1, em arquivo .pfx ou .p12.
  • Para NF-e e CT-e, a UF da empresa.

Na NF-e e no CT-e, o certificado da matriz serve para as filiais, porque a SEFAZ confere a raiz do CNPJ (os 8 primeiros caracteres).

Se aparecer “MAC verification failed” ao abrir o certificado, a senha está errada.

Como as notas chegam

O governo mantém, para cada CNPJ, uma fila com os documentos em que a empresa aparece. Cada documento recebe um número de sequência, o NSU. O programa guarda o último número que já leu e, na consulta seguinte, pede só o que veio depois.

A fila de distribuição da SEFAZ guarda as NF-e e os CT-e por cerca de 90 dias. O primeiro download traz o que ainda estiver lá; o que for mais antigo precisa vir de outra fonte.

Na prática, a primeira consulta pode demorar, conforme o volume. As seguintes são rápidas e trazem só as novidades.

NF-e: primeiro o resumo, depois o XML

O que chega depende do papel da empresa na nota:

Se a empresa é O que recebe
Destinatária Todas as NF-e autorizadas contra o CNPJ, de qualquer UF. Primeiro um resumo; o XML completo vem depois da Ciência da Operação
Transportadora As NF-e em que aparece como transportadora
Autorizada a obter o XML As NF-e em que foi informada como autorizada
Emitente As próprias notas não chegam, a não ser que o CNPJ também esteja como autorizado

O caso do destinatário é o que mais confunde. O resumo traz chave, emitente, valor e situação, mas não é o documento fiscal. Para receber o XML completo é preciso registrar a Ciência da Operação, ou uma manifestação conclusiva. Depois disso, o XML chega em uma consulta seguinte.

As outras manifestações são diferentes. Confirmação, Desconhecimento e Operação não Realizada são definitivas na SEFAZ e não podem ser desfeitas. Por isso o Nanci sempre mostra antes o que seria enviado e só envia com a sua confirmação.

A Ciência não é definitiva, mas também não para o relógio. Se nenhuma manifestação conclusiva for registrada em 90 dias da autorização, a operação é considerada confirmada, com os mesmos efeitos da Confirmação. A regra está na cláusula 15ª-C do Ajuste SINIEF 07/05; as notas técnicas ficam no Portal Nacional da NF-e.

CT-e: mais simples

O CT-e não tem resumo nem Ciência: o XML completo chega direto.

A empresa recebe os CT-e em que é tomadora, remetente, destinatária, expedidora, recebedora ou autorizada. Como na NF-e, o emitente não recebe o CT-e que ele mesmo emitiu.

Um detalhe útil: o Nanci guarda as chaves das NF-e transportadas em cada CT-e. A partir de uma nota, dá para achar o CT-e do frete.

NFS-e: por que a nota emitida não aparece

É a dúvida mais comum: “emito NFS-e todo mês e a consulta não trouxe nada”.

A consulta do ADN não deve ser tratada como lista completa das notas emitidas pela própria empresa. Dependendo da regra de distribuição e de quanto o município já está integrado ao padrão nacional da NFS-e, notas em que o seu CNPJ é o prestador podem não aparecer.

Para saber se está tudo funcionando, teste com uma nota em que o seu CNPJ seja tomador.

A mensagem “Nenhum documento localizado para o NSU informado” (código E2220) não é necessariamente um erro: quer dizer que a conexão funcionou e que não há nota nova.

Cuidado com o limite de consultas

A SEFAZ bloqueia por um tempo o CNPJ que consulta demais, com a rejeição 656 (consumo indevido). O Nanci reduz esse risco por conta própria:

  • Faz no máximo 20 consultas por hora por empresa na NF-e, e outras 20 no CT-e.
  • Quando não há nada novo, espera 1 hora antes de consultar de novo.
  • Se receber o bloqueio, espera 1 hora.

Para o CT-e, a SEFAZ não publica um limite por hora; o Nanci usa o da NF-e por prudência.

Onde ficam o certificado e as notas

Um certificado digital dá acesso às notas da empresa. Vale perguntar por onde ele passa antes de entregá-lo a qualquer serviço.

No Nanci a escolha foi deixar tudo no computador de quem usa:

  • A conexão sai direto da máquina para os servidores do governo.
  • O certificado e o banco de dados ficam no seu computador.
  • Nada é enviado para um servidor nosso ou de terceiros.

O backup é copiar a pasta de dados, como descrito na página de privacidade. O código é aberto e pode ser conferido por quem quiser.

Várias empresas no Nanci

O Nanci é um aplicativo de desktop para Windows, com interface visual. Na primeira vez, ele guia o cadastro do certificado e da primeira empresa. Depois é só cadastrar as outras empresas e clicar em sincronizar. As NFS-e podem ser exportadas em Excel, CSV, ZIP de XMLs e PDF (DANFSE), e as NF-e e os CT-e, em ZIP de XMLs. Para quem quer automatizar, ele também funciona pela linha de comando.

O que ele não faz:

  • Não usa portal de prefeitura nem simula navegação.
  • Não baixa NFC-e, MDF-e, NFCom, NF3e nem CF-e SAT.
  • Não recupera as notas emitidas pela própria empresa.
  • Não aceita certificado A3.
  • Não substitui a conferência contábil e fiscal.

Dúvidas comuns estão na FAQ e na página de solução de problemas.

Para quem programa a integração, o post sobre a API da ANVISA mostra o mesmo tipo de levantamento em outra API do governo.

Se a sua empresa precisa dessas notas dentro de um sistema próprio, como um ERP ou um painel, esse é o tipo de trabalho que fazemos em integrações.

Perguntas

Preciso entrar no portal da prefeitura para baixar NFS-e?
Com o Nanci, não. Ele consulta só o ambiente nacional, com o certificado da empresa. O que aparece ali depende de como cada nota foi distribuída no ambiente nacional.
Por que as notas que a minha empresa emite não aparecem?
Na NF-e e no CT-e, a SEFAZ não entrega ao emitente os documentos que ele mesmo emitiu. Na NFS-e, a consulta nacional não deve ser tratada como lista completa das notas emitidas pela própria empresa.
Por que só chegou o resumo da NF-e, sem o XML?
Para o destinatário, a SEFAZ entrega primeiro um resumo. O XML completo só é liberado depois da Ciência da Operação ou de uma manifestação conclusiva.
Por que não consigo baixar NF-e de meses atrás?
A fila de distribuição da SEFAZ guarda os documentos por cerca de 90 dias. O que for mais antigo que isso não vem por essa consulta.
Dá para usar certificado A3?
No Nanci, não. Ele aceita certificados A1, em arquivo .pfx ou .p12. O mesmo certificado serve para NFS-e, NF-e e CT-e.

Como podemos ajudar?

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